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Sou fã do meu avô ( parte 3)

Nestes dois útimos artigos estive compartilhando um pouco do meu avô e um pouco da minha avó. Precisei falar deles porque foi através de suas vidas que aprendi a respeito de Deus. Creio que meus avós foram uma carta do amor de Deus para mim.

Tenho sido muito ministrado através de algumas experiências que tenho tido com o Senhor. Uma das coisas que tenho aprendido é que o Espírito Santo traz à nossa memória aquilo que nos dá esperança. E também o mesmo Espírito ao habitar em nós faz com que as memórias que procuramos esquecer se tornem memórias ensináveis. Ou seja, as experiências ruins do passado se tornam oportunidades de aprendizado gerando autoridade para ministrar os outros.
Então vamos lá...

Mais ou menos no ano de 1988, meu avô estava desejoso por restaurar um templo que ficava em um município chamado Galiléia. Na verdade, era uma pequena vila com poucas casinhas separadas umas das outras. Nesse lugar não tinha energia elétrica. A maioria dessas pessoas eram senhoras de idade com muitos filhos. Pessoas que não tinham estudo.
Eram pessoas simples e muito curiosas.
Quando chegávamos nesse lugar elas vinham correndo para ver o que estava acontecendo.
Como eu disse, meu avô era um dos líderes de uma organização batista chamada EMBAIXADORES DO REI.
Na parte 1, eu falo sobre os eventos que realizávamos todo ano, as aventuras na beira dos rios, evangelismo e etc...
Essa de restaurar o templo da Galiléia foi uma grande aventura e que hoje tenho sido ministrado através desses acontecimentos que considero proféticos. Deus tem falado muito comigo sobre fatos do passado que profetizam em nossas vidas.


INDO PRA GALILÉIA

Meu avô convocou aquela "cambada" de crianças e adolescentes para irem à galiléia em cima da carroceria de um caminhão. lembro quando cantávamos uma canção no caminhão, onde no meio dela fazíamos uma pergunta falando o nome de alguém que estava ali, uma brincadeira. Era mais ou menos assim:

Ahhhhh eu amo a Cristo
Ahhhhh eu amo a Cristo
Ahhhhh eu amo a Cristo
Porque Ele morreu por mim, aleluia!!

"fulano" ama a Cristo?
Fulano responde: Sim, eu amo a Cristo!
Por que amas a Cristo?
Fulano: Porque Ele morreu por mim, aleluia!

Todos em uma só voz: Ahhhhh eu amo a Cristo... (risos)

Até o motorista entrava na roda.. hahaha

Também tinham os corinhos do embaixadores do Rei e os hinos do cantor cristão. Era muito legal.. a viagem toda rindo e cantando.


RESTAURANDO O TEMPLO DA GALILÉIA

A primeira coisa que vimos ao chegar lá foi um templo antigo com todas as janelas quebradas. O chão, devido às fortes chuvas, estava cheio de lama. O rio ao lado, quando transbordava, enchia o templo mais ou menos meio metro de água.
Parasitas e capins se misturavam nas paredes. Os parasitas entravam pelas janelas quebradas e até pelo chão do templo rachado por causa das águas. E os capins revelavam quanto tempo aquele templo estava abandonado.
O templo ficava em frente à uma estrada de chão, que seguindo-a, chegávamos à uma pequena vila de casinhas separadas umas das outras. As casas ficavam mais ou menos a uns 300m do templo.

Eu e meus irmãos, meus primos e os amiguinhos embaixadores, trabalhávamos com a enxada nas mãos capinando a parte da frente, enquanto os mais velhos ficavam com uma mangueira jogando água no chão, amolecendo a lama para depois, com a enxada, levá-la para fora.

Enquanto fazíamos isso, meu avô e outros irmãos (os líderes), estavam pintando a parte de fora do templo depois de fazer alguns reparos nos buracos das paredes.
Minha avó e uma das minhas tias preparavam o café da tarde com aquelas panelas grandes. Era uma festa! Assim passávamos o dia até chegar mais ou menos 19 horas para retornarmos para casa.

LUZ EM GALILÉIA

Não dá pra esquecer o brilho nos olhos do meu vovô quando o templo foi restaurado. Claro que não ficou tão bonito quanto era na antiguidade, mas a glória da segunda casa seria maior que a da primeira. (shuuuuuuuuuuuu!!!)

Meu avô passou dias antes da restauração construindo os bancos de madeira para o templo. Ele gastou horas e horas batendo pregos, cerrando a madeira, lixando, machucando as mãos. Fazendo tudo aquilo com muito carinho sem esperar ganhar coisa alguma em troca. Somente por amar a obra de Deus. (pausa para o choro...rsrsrs)

Depois de fazer os bancos e também o púlpito, meu avô voltou para Galiléia com somente alguns irmãos para levar os bancos e o púlpito e também fazer a reforma das janelas.
Depois de tudo isso chega o grande dia...

Foi aquela festa!!! A expectativa do meu avô e todos que o ajudaram era muito grande.
A grande pergunta era: Como faríamos para trazer as pessoas das redondezas para o culto no templo? Qual seria a grande estratégia do meu vovô, já que não tiínhamos recursos para nada?
Meu avô simplesmente criou um PONTO DE LUZ através de um gerador ou através da energia do caminhão, isso eu não me lembro direito. Só sei que ele criou um ponto de luz e essa luz foi o motivo pela qual as pessoas curiosamente saíram de suas casas e encheram o templo para o culto de inauguração.

Foi nesse dia que meu avô me chamou para cantar pela primeira vez na minha vida, na frente de toda a congregação.
Lembro-me de pegar meu violão com aquele cristal (aparelhinho usado para ligar na caixa de som), com minha tia segurando o microfone e eu comecei a cantar na frente de todos uma canção que dizia mais ou menos assim:

Um dia lindo almejo eu encontrar
a eterna glória que prometida está
Gozo e alegria posso então eu sentir
pois Jesus Cristo já está por vir

REFRÃO
Jesus virá outra vez aqui
Jesus virá mais outra vez aqui
E todos juntos em um só louvor
Cantemos todos que Ele é o nosso Senhor

Uau!! Meu avô com aquele olhar emocionado ao ver seu netinho louvando a Jesus. Com toda simplicidade e inocência de uma criança eu preguei o evangelho com aquela canção. (pausa para o choro...rsrsrs)
Foi uma noite e tanto!! Muitas pessoas entregaram suas vidas para Jesus. Meus avós profundamente emocionados com todos aqueles frutos.
Lembro que quando chegamos em casa o assunto do momento foi o netinho cantor... hehehe
Meu avô falando com minhas tias o quanto ele ficou tocado em me ver cantando na frente da congregação.
Sei que ao crescer me tornei um péssimo neto para ele. Fui um menino doente e amargo por causa das duras experiências que passei, mas uma coisa eu sei, hoje sou fruto do amor do meu Deus, que foi pregado através dessas duas pessoas maravilhosas, meus avós!!!
E também sei que hoje sou um orgulho para eles e eles sabem o quanto tenho amadurecido no Reino de Deus.

Uma das coisas que tenho certeza, é que quero viver cada dia falando, vivendo e pregando o Reino de Deus, fazendo com que todo o sacrifício dos meus avós tenham valido a pena. E muito mais ainda, quero fazer valer a pena Jesus ter dado Sua vida por mim e por meus avós.

Vovô Urias e vovó Zilda, meu muito obrigado! Amo vocês e jamais esquecerei...